sexta-feira, 14 de maio de 2010

Muu!



E quantas vezes também nós assim o somos, nos deixando levar por tudo o que nos dizem e querem que sejamos; e sem pestanejar, acabamos nos tornando mais um deles... Uma comparação bem boba, mas creio que a ideia central foi passada. Abraços!


LíviaMacedo

terça-feira, 11 de maio de 2010

...e só morre quem vive.


A noite só existe porque vem o dia;
A lágrima na maioria das vezes só é triste, porque há sorrisos;
A mentira só é falsa, porque há a verdade.


Pra todo acerto, um erro. Pra se obter um par, é preciso antes, possuir ímpar. Para algo inteiro, duas metades...É a lógica da vida, em que aplico pra benefício próprio. Pois não há luz que não possa clarear trevas. E mesmo que elas persistam em enegrecer, um raiozinho que haja, já é algo. Deixem uma fresta aberta e permitam-se.
LíviaMacedo

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Uma relação intra-específica desarmônica


Resolvi que sou árvore de outono. Não abrigo ninguém. Apenas desnudo-me... sou toda galhos! Não que eu seja a melancolia personificada, mas a tenho sempre por perto. Pelo menos eu não me decepciono tanto... Costumo prender-me muito e assim perco-me. Saio de mim, sugo a vida do outro. Mas não como numa relação parasita! Acho nesse caso eu é quem saio perdendo. Absorvo suas tristezas, suas angústias e as tomo para mim... como se as minhas já não me bastassem! Oras, reaja!



o sol já se vai
e o raio que me restava
era apenas a luz dos teus olhos.
mais uma dia que cai,
logo o sono embebedava
a visão dos meus sonhos.

mas se sou tão tua
e você tão somente meu,
deveria eu temer?
e essa dúvida ainda crua,
me diz que o verdadeiro eu
só existe por te ter.

LíviaMacedo

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Chá.


Um instante que parece uma infinitude de horas. Olho o relógio de parede do Café, e vejo que ele estava 15 minutos atrasado. Bato o pé, ranjo os dentes. Parva! Que te fez vir até aqui? Não aprendeste que os homens são todos iguais? Quer saber? Vou pegar minha bolsa e cair fora, antes que ele chegue e veja que eu o esperei. Melhor fingir depois que eu nem fui, e dizer que o deixei na mão mesmo. E que sim, eu era uma idiota por acreditar novamente em outro deles, e que não voltasse a me procurar porque meu destino estava traçado, e não seria ao lado dele; que eu o odiava e só queria tirar onda mesmo, curtir com a sua cara... Que, enfim, eu também era como as outras, que não esperasse atitude menos rude. Então ele me olharia com lágrimas nos olhos e pediria perdão. Aí eu o esmagaria! Game over. O desalento ganha novamente, ninguém derrota o poderoso chefão. Fico só. Sempre fico. Acostumei-me... Não sei o que ainda procuro em outrem. Melhor seria se o mundo fosse meu, e eu fosse o mundo. Me viro, certa a ir embora e deixar minhas mágoas na gorjeta do garçom, afogadas na meia xícara de chá mate que ainda me restara; E digo mais[!]... Opa, mãos mornas tocam meu ombro esquerdo.


[...]


- Demorei muito, querida?

-Não, não, na verdade acabei de chegar também. E com um meio sorriso amarelo intimido: Chá?


Engolir em seco e sentir.
O doce amargo que és,
impossível não admitir...
Teu sorriso é flecha,
onde o alvo não tem brecha,
vai do coração à alma e me põe a teus pés.

LíviaMacedo

domingo, 4 de abril de 2010

Da cantiga

Sapeca guria
que à noite e de dia
é alegre a dançar.
De tranças douradas
bochechas rosadas
e mel no olhar.

Seu vestido de renda
suave encomenda
da aurora a chegar.
E o céu murmura:
-Afável figura!
dá gosto de amar.

Menina bonita,
deixa de fita
e vem cantarolar.
A cantiga é tua,
venha pra rua
conosco girar.

LíviaMacedo.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Ímpeto ato.


E a esperança eu pus na lembrança que me fizeram esquecer. Notei que o que eu vejo é o que querem que eu seja, e a hostilidade que me alcança é infinda e disfarçada. E são tantas mulheres sem rosto com expressões indiferentes e homens com coração de iceberg - frios e contundentes - que me condenam, mas sou uma epístola no papiro, numa garrafa em alto mar... perdida e sem finalidade, que não chega e tampouco leva à lugar algum. Estou no fim do arco-íris. Sou uma palavra traduzida em sentimento, sem forma nem alento. A alegoria do agora, a solução dissolvida em interrogação. Sou um eterno ponto, um nó sem ponta....

LíviaMacedo.

sábado, 6 de março de 2010


Uma mistura de ansiedade e medo me invadiu hoje, assim, arrombando tudo sem direito à cordialidades. Talvez exista mesmo uma tensão pós ensino médio. A gente sai de um ambiente tão entrosado, aquele ninho de pessoas que normalmente conviveram contigo três anos de sufoco, correria, ao mesmo tempo que de descontração e - mesmo que seguindo à uma rotina - descanso do cotidiano. Aí tudo aquilo acaba, e a ficha começa a cair quando você se vê como um nada. Não passou na faculdade, não pode estagiar e nem tem 18 anos pra trabalhar. Começa a fazer cursinho pré-vestibular, estudar loucamente pra concursos e sua vida social fica meio deturpada. Sim, eu acabo de me descrever, mas creio não ser a única; pra completar, o namorado ainda estando tão longe, literalmente. E quanta falta ele me faz. Em 4 dias e meio ele confirmou o que eu duvidava, e não imaginaria encontrar: alguém que me completasse. E é muito dele que me vêm forças, são as suas palavras que me afagam e me fazem ser menos dramática. Porque quando se trata dele e de mim, já não são 2, mas um. Um todo indivisível; somos nós... e que nem desata. Aí eu repenso nas minhas angústias, e elas parecem tão pequenas, e eu me vejo um tanto tola. Fácil perceber quando se está no caminho certo. Nada entre nós é tortuoso, porque nós assim não o somos. E no fim, tudo acaba bem, de qualquer jeito...
LíviaMacedo.
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